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Educação e Multiculturalismo
Silvia de Almeida
Educação multicultural
Fases da educação multicultural
No desenvolvimento de teoria,
pesquisa e prática que inter-
relacionam variáveis ligadas à
etnia, classe e género. É
importante notar que cada uma
das fases da educação
multicultural existe ainda hoje. No
entanto, as fases posteriores
tendem a ser mais proeminentes
do que as anteriores, pelo menos
na literatura teórica, se não na
prática (Banks, 1993).
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Uma terceira fase da educação
multicultural surgiu quando outros
grupos que se consideravam
estigmatizados na sociedade e
nas escolas, como por exemplo
mulheres e pessoas com
deficiência, exigiram a
incorporação das suas histórias,
culturas e vozes nos currículos e
estrutura das escolas, faculdades
e universidades (Banks, 1993).
Video: https://youtu.be/wzK8Jj5WVo4
Educação
Multicultural
Educação
Intercultural
Educação multicultural
Duas lógicas na emergência da educação multicultural
Uma mais social e económica
(Wieviorka, 1999)
O movimento multicultural
emerge historicamente como uma
reivindicação de direitos humanos
e civis por parte dos grupos
discriminados por serem
impedidos de participação
democrática.
Momento histórico: movimento
reivindicativo da comunidade
negra norte americana, nos anos
60 do séc. XX, na sua luta contra
a discriminação social e política.
Este movimento parte dos negros
mas alastra-se às mulheres, aos
hispânicos e outros grupos, não
pelo reconhecimento cultural mas
pelas preocupações com a
igualdade social.
O movimento social vai refletir-se
na escola, dando origem a outro
movimento, o pedagógico que
defende a integração das
diferentes culturas no espaço
escolar.
Remete para o funcionamento do
sistema educativo e consequente
integração dos conteúdos das
diferentes culturas quer nos
manuais escolares, quer nos
autores estudados, quer na
perspetiva histórica abordada.
Outra cultural
(Wieviorka, 1999)
Educação multicultural
Paradigmas para multiculturalismo
Posicionamentos para resolver
os problemas levantados pela
existência de uma
multiplicidade de culturas,
quer seja de grupos autótonos
ou de grupos imigrados
Entre a década de 60/70 do séc.
XX, cada um dos posicionamentos
foi o reflexo de opções políticas,
filosóficas, sociológicas
dominantes em cada momento.
Educação multicultural
Paradigmas para multiculturalismo
Paradigma
assimilacionista
Nos anos 60 do séc. XX, esteve
presente uma atitude
assimilacionista, fundamentada
na ideia de que a cultura recetora
é superior às outras, por isso,
verificava-se a necessidade de
adaptar os grupos étnicos
minoritários ao modelo cultural
dominante.
Pretendia retirar “os indivíduos do
universo dos seus particularismos
culturais, minoritários,
percecionados portanto como
necessariamente estreitos e mais
ou menos fechados sobre si
mesmos, de maneira a fazê-los
aceder aos valores universais da
nação e da cidadania” (Wieviorka,
1999, p. 25).
Educação multicultural
Paradigmas para multiculturalismo
Paradigma
assimilacionista
Foi a atitude durante a colonização, e na
década de 60 nos EUA (e outros países).
Dentro desta perspetiva, inserem-se a nível
escolar, os programas de educação
compensatória, com grande divulgação nos
EUA e noutros países, e que têm como base os
paradigmas educativos da privação cultural e
genética.
O paradigma da privação cultural defende que
as minorias étnicas padecem de uma
socialização primária deficitária, o que as
impossibilita de adquirirem as capacidades
cognitivas necessárias para alcançarem um
bom desempenho escolar e social.
O paradigma da genético defende que a
aptidões demonstradas na escola pelas
minorias têm uma origem biológica, pelo que
a educação não pode fazer mais do que
integrar esses alunos em grupos homogéneos
para melhorarem o seu rendimento.
Educação multicultural
Paradigmas para multiculturalismo
Paradigma
integracionista
Na década de 70, assistimos a uma atitude
integracionista, cuja pretensão é manter a
coexistência e o equilíbrio entre a cultura
maioritária e as culturas minoritárias,
promovendo a unidade através da
diversidade.
A atitude integracionista baseia-se na validade
e na igualdade das culturas, defendendo o seu
desenvolvimento no mesmo plano da cultura
dominante e permitindo, assim, às culturas
minoritárias resistir à assimilação.
São concebidos, neste contexto, programas e
estratégias que atendem às necessidades
especiais das crianças de minorias étnicas,
incidindo na melhoria da comunicação entre
as diferentes culturas como forma de evitar os
estereótipos que a dificultam.
Educação multicultural
Paradigmas para multiculturalismo
Paradigma
pluralista
A atitude pluralista e da diferença cultural
considera cada grupo étnico como possuidor
de uma oportunidade para desenvolver e
conservar a sua cultura e as suas tradições
diferentes, no interior de uma sociedade mais
ampla, desempenhado nela um papel de
pleno direito.
Sublinha a valorização das culturas
minoritárias
Educação multicultural
Conceito muito amplo
A definição do conceito torna-se ambígua e demasiado ampla com modelos
educativos muito heterogéneos. O facto é que surge (meados da década de 70)
como oposição ao modelo de educação monocultural fruto das ideias
assimilacionistas, dos anos 60 do Séc. XX.
A educação monocultural consistia em encorajar “os outros” a serem como
“nós”, “ a escola serviu como instituição principal para a aculturação dos filhos
dos imigrantes e abertamente ensinou-os a depreciarem as suas culturas
(Banks, 1981).
Parte dos paradigmas integracionista e do pluralismo cultural.
Educação multicultural
Conceito muito amplo
Não existe consenso na literatura sobre uma definição,
objetivos de educação multicultural.
O maiores objetivos da educação multicultural é reformar a escola de modo a
que os alunos de diversos grupos étnicos, classes sociais, culturas e género
experimentem uma educação de qualidade e igualdade de oportunidades em
termos de percursos escolares (Banks, 1993, 2015).
Existe um consenso na literatura de que a educação multicultural para ser bem
implementada são necessárias mudanças institucionais como alterações no
currículo, nos materiais de ensino, no método de ensino, nas atitudes de
professores e nas normas e cultura das escolas. (Banks, 1993; 2015; Bennett,
1990; Sleeter & Grant, 1988).
Educação multicultural
Cinco dimensões da educação multicultural
Educação multicultural
Fases da educação multicultural
Essas alterações não eram
suficientes para fazer reformas
escolares que respondessem às
necessidades de alunos de
minorias étnicas e para ajudar
todos os alunos a desenvolver
atitudes em relação à diversidade
étnica e cultural mais
democráticas. O seu objetivo era
agora fazer mudanças estruturais
e sistémicas na escola (Banks,
1993).
Surgiu quando os professores, que
tinham interesses e
especializações na história e na
cultura de grupos étnicos
minoritários, iniciaram ações
individuais e institucionais para
incorporar os estudos étnicos no
currículo da escola e nos
currículos de formação de
professores. A primeira fase da
educação multicultural foi
marcada pelos estudos étnicos
(Banks, 1993).
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Video: https://youtu.be/SmLBnwIglyw
Educação intercultural
Novo conceito
Educação intercultural
Limitações do conceito de educação multicultural
Educação intercultural
Conceito de educação intercultural
Educação intercultural
Conceito de educação intercultural
1. Integração de conteúdo: utilização por parte dos professores de exemplos,
dados de uma variedade de culturas e grupos para ilustrar conceitos, princípios
e teorias chave nas suas áreas ou disciplinas. Em muitos países, o ensino
multicultural é considerado sobretudo como a integração de conteúdos (Banks,
1993; 2015).
1. Devido à divergência na definição da educação multicultural (Banks, 1991;
Nieto 2009; Portera, 2020; Sleeter and Grant 1987).
2. Críticas da parte de políticos. Por exemplo Nicolas Sarkozy, numa entrevista
(2011), afirmou que o multiculturalismo falhou porque valoriza a cultura dos
imigrantes mas não a cultura dos países acolhedores.
A literatura considera a partir dos anos 80 do séc. XX o conceito de educação
intercultural (tal como a Comissão Europeia)
1. Ideia estática e rígida de cultura e identidade (a cultura é para ser respeitada
e não deve ser mudada; os indivíduos têm uma identidade imutável);
2. Suspensão do julgamento moral e político;
3. Organicismo, cada cultura é singular (maioritariamente associada com o
estado-nação);
4. Culturas não podem ser comparadas (antropologia);
5. Estratégias educacionais cujo objetivo é a coexistência pacífica.
Os imigrantes têm sido muito limitados à sua cultura de origem e a
comportamentos que até no seu país já estão desatualizados.
Primeiro, o conceito de cultura, identidade é considerado de forma dinâmica e
em constante evolução. Desde o séc. XIX que a antropologia tem considerado a
cultura como estando relacionada com o território ou a nação. A Globalização
torna esta ideia obsoleta.
Segundo, uma sociedade multicultural é considerada uma oportunidade para o
enriquecimento pessoal e da social. Os diferentes grupos étnicos representam
uma oportunidade para a reflexão sobre valores, normas e comportamentos.
Terceiro, o prefixo “inter” significa interação, relação. As sociedades podem ser
definidas enquanto “multiculturais” na presença de povos de diferentes
culturas, enquanto a educação deve tornar-se “intercultural”, pois promove a
interação (diálogo). Durante a interação é possível ultrapassar preconceitos ao
se trocarem pontos de vista.
A educação intercultural, tal como foi desenvolvida semanticamente na Europa
é mais apropriada para um mundo que está globalmente interconectado. O que
implica o desenvolvimento estratégias inovadoras, manuais, programas,
currículos e políticas da educação (Gundara 2000; Portera 2011, 2020; Barrett
2013; Cantle 2013; Catarci and Fiorucci 2015).
O Concelho da Europa publicou em 2008, os White Paper on Intercultural
Dialogue: ‘Living Together as Equals in Dignity’ em que definiu os conceitos de
multiculturalidade e interculturalidade;
Nos últimos anos, sobretudo, na Europa, a literatura tem adotado o conceito de
educação intercultural (Gundara 2000; Wood and Landry 2008; Portera, 2020;
Bouchard 2011; Cantle 2013; Barrett 2013).
2. Processo de construção do conhecimento: demonstração por parte dos
professores de como o conhecimento é construído e influenciado por
determinadas classes sociais ou grupos na sociedade.
3. Pedagogia igualitária: utilização de técnicas e métodos pelos professores que
facilitam a realização académica de estudantes de diversos grupos étnicos e
classes sociais de baixo rendimento escolar.
4. Redução do preconceito: refere-se às atitudes anti étnicas das crianças e
jovens, bem como às estratégias que podem ser usadas para os ajudar a
desenvolver atitudes e valores mais democráticos.
5. Fortalecimento de cultura educacional e estrutura social: necessidade da
reestruturação da cultura e organização escolar com o objetivo dos alunos de
diversos grupos étnicos e classes sociais experimentarem oportunidades de
igualdade educacional
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